Propostas avançam em ambiente adequado

 

Leonardo Melo: engenheiro nunca pensou deixar Niterói para fundar, ao lado do irmão, seu próprio negócio

 

Nascido e criado em Niterói, o engenheiro Leonardo Melo não pensou em deixar a cidade nem mesmo para tocar o próprio negócio. Pelo contrário. Ao lado do irmão fundou há cinco anos a Diagnext, especializada em soluções de telemedicina. A startup, que ganhou investimentos do Fundo Criatec e subvenção da Faperj, mantem parceria estreita com a Universidade Federal Fluminense (UFF), para desenvolvimento e testes de novas tecnologias e pela busca de mão de obra qualificada.

“Nossa proposta sempre foi desenvolver uma tecnologia que garantisse atendimento de saúde com qualidade em locais remotos, a baixo custo”, afirma Melo. A empresa, nascida dentro da incubadora da UFF, executa de forma rápida e remota o diagnóstico de doenças por meio de exames de raio X, tomografia e mamografia realizados em locais onde o custo do profissional médico e a falta de estrutura tecnológica avançada, inclusive de banda larga, inviabilizariam a geração do laudo ou a transmissão das imagens para análise à distância.

“A tecnologia desenvolvida pela Diagnext, com equipamento muito mais barato que os correspondentes estrangeiros — R$ 3 mil por ponto -, permite, que navios médicos da Marinha e os médicos presentes em plataformas e usinas, por exemplo, consigam transmitir os exames por teleradiologia em 10 minutos”, afirma o empresário. “Os sistemas disponíveis no mercado demoram entre três e quatro horas”. Foi graças à agilidade e eficiência de seus equipamentos que a empresa firmou parceria com o governo do Amazonas para a reali- zação de exames, como mamografia, direto da floresta amazônica. Hoje, 44 hospitais e clínicas estão habilitados a receber exames enviados pela Diagnext. Até o final do ano, a empresa espera somar 100 unidades de atendimento nas regiões Norte, Nordeste e no estado de Minais Gerais.

Distante de Niterói, os fundadores da PicPay, primeira empresa de mobile wallet da América Latina, responsável pela criação de um aplicativo para smartphones que realiza pagamentos via mobile, até pensaram em deixar Vitória quando a empresa ganhou mais envergadura, no início deste ano. “Avaliamos bem e decidimos ficar, porque ao contrário das grandes capitais, Vitória exige um baixo investimento para testar nossos produtos e pessoas com o mesmo grau de qualificação e mente aberta para novas tecnologias que os demais centros”, afirma o sócio fundador Diogo Roberte.

Novas empresas são beneficiadas por financiamento, apoio acadêmico e mão de obra qualificada

O empreendedor observa, também, que a capital capixaba começa a consolidar um ecossistema para a formação de startups com base tecnológica, com a criação de incubadoras, aceleradoras e a presença de investidores anjos. “Essas características tendem a beneficiar as empresas pioneiras”, assegura Roberte, observando que até o fim de 2015 a PicPay espera consolidar uma base de 1,5 milhão de usuários. O volume será o dobro do estimado até de- zembro de 2014, quando as transações com o aplicativo devem movimentar R$ 3 milhões.

Preservar a qualidade de vida e ao mesmo tempo desfrutar de um ambiente onde se respira tecnologia em meio a universidades, incubadoras de empresas e investidores. Essa foi a proposta do catarinense Ricardo Ramos ao trocar o interior de Santa Catarina pela capital, Florianópolis, em 2009, para abrir a Nanovetores. “A cidade trabalha para ser a ca- pital da inovação, não só na área de tecnologia da informação, por isso nos recebeu como a primeira empresa de química fina incubada no Celta”, diz Ramos.

Com um faturamento estimado de R$ 5 milhões e 500 clientes em carteira, a Nanovetores desenvolve, produz e comercializa ativos encapsulados para as indústrias de cosméticos, fármacos, têxtil, alimentos e veterinário. Usa técnicas patenteadas de alto desempenho para nanotec- nologia e microencapsulação de ativos, com adoção de insumos da biodiversidade brasileira, dentro do conceito de química verde e sustentabilidade. “Com toda essa complexidade não é fácil encontrar mão-de-obra qualificada na mesma abundância que Florianópolis nos oferta”, afirma o empreendedor, lembrando que apesar da alta capacitação os salários são mais acessíveis do que no eixo Rio-São Paulo.

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